Tabelas com principais informações dos Relatórios Anuais de 2015, dos maiores fundos de pensão do Brasil

Sintetizamos, na tabela constante da imagem abaixo, algumas das principais informações constantes nos relatórios anuais, relativos a 2015, dos maiores fundos de pensão do Brasil, e essa visão comparativa permite demonstrar e analisar uma série de questões que impactam a gestão da FUNCEF:

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1 – Os déficits estão concentrados nos fundos de pensão com patrocínio estatal;

2 – Há uma forte correlação entre os déficits e o nível de exposição a investimentos de maior risco, sendo assim considerados as aplicações em renda variável, investimentos imobiliários e investimentos estruturados (FIP – Fundo de Investim. em Participações)

3 – Especialmente no segmento de investimentos estruturados, que são os de maior risco, por envolverem projetos empresariais que encontram-se, na maior parte das vezes, em fase inicial, a FUNCEF é a entidade que detém o maior volume absoluto ($4,769 bilhões) e a 4a. maior exposição proporcional (8,44%);

4 – O volume consolidado dos três segmentos de investimentos de maior risco totaliza cerca de R$22,2 bilhões, e será da redução expressiva dessa exposição, a no máximo metade desse montante, que entendemos ser condição necessária para o reequilíbrio dos planos REG REPLAN, Saldado e Não Saldado.

5 – Comparado a seus pares e em valores absolutos, o montante patrimonial que compõe o Fundo Administrativo da FUNCEF está em patamar intermediário (7a. posição de um total de 16 entidades), alcançando $152 milhões em DEZ/2015.

Tais informações demonstram, com dados factuais, que o problema de desequilíbrio da FUNCEF tem forte componente estrutural, baseado na sua grande exposição a segmentos de investimentos de maior risco, e será pela reversão dessa exposição que alcançaremos o reequilíbrio tão esperado pelos participantes e assistidos.


Dando continuidade à análise comparativa dos resultados de 2015 dos maiores fundos de pensão do Brasil, trazemos na tabela contida neste post as principais informações sobre as despesas administrativas das entidades, sobre as quais podemos extrair as seguintes conclusões:

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1 – Em geral, o montante de Despesas Administrativas de uma entidade guarda relação com seu tamanho patrimonial e quantidade de participantes ativos e aposentados, exceção feita à FAPES (BNDES) e POSTALIS (CORREIOS) que, em 2015, tiveram volume de despesas, proporcionalmente, superior ao seu respectivo porte, e em direção contrária, à Fundação ITAÚ UNIBANCO, que sendo a 5a. maior entidade, em termos de patrimônio e a 6a. em quantidade de participantes, ficou em 8o. no ranking geral de Despesas;

2 – A FAPES, em 4o. colocação neste ranking, com R$154 milhões de Despesas Administrativas em 2015, é a entidade que possui a pior relação DESPESA/PARTICIPANTE/ANO, com R$ 29.615,38 gastos per capita, seguido pela CENTRUS (R$18.100 per capita) e Fundação COPEL (R$2.288 per capita);

3 – Considerando a arrecadação per capita das entidades (basicamente, constituída por taxa de carregamento, que incide sobre as contribuições e/ou benefícios, e pela taxa de administração, que incide sobre os recursos garantidores), novamente a FAPES lidera o ranking, com R$16.750 arrecadados de seus participantes ativos e aposentados, seguida pela PREVI (R$1.393) e pela INFRAPREV (R$1.229);

4 – Considerando a proporção das Despesas Administrativas sobre o Patrimônio Total das entidades, lidera o ranking a FAPES, cuja despesa total em 2015 equivale a 1,57% de seu patrimônio, seguida pela POSTALIS (0,97%) e INFRAPREV (0,89%);

5 – Comparando-se a proporção dos gastos das entidades com as despesas de pessoal (computados folha de pagamento, encargos sociais e benefícios), a CENTRUS lidera o ranking, com 68,78% das despesas totais com RH, seguida da Fundação TELOS (antiga TELEBRÁS), com 67,46% e da Fundação FORLUZ (CEMIG), com 65,43%;

6 – Considerando seu porte de 3a. maior entidade, a FUNCEF detém a 12a. posição, na relação DESPESA/PARTICIPANTE/ANO (R$1.160), a 6a. posição na arrecadação per capita (R$1.079), e a 13a. posição na proporção das Despesas Administrativas sobre o Patrimônio Total (0,29%).

7 – Na relação abaixo, encontra-se a evolução das Despesas Administrativas da FUNCEF desde 2010, onde destaca-se que em 2015 ocorreu a primeira redução real (descontada a inflação anual) na série histórica:

Despesas Administrativas Totais (em R$ milhões)

2010 – R$100,8
2011 – R$115,1
2012 – R$135,5
2013 – R$144,4
2014 – R$153,5
2015 – R$161,4

Inflação Anual INPC

2010 – 6,47%
2011 – 6,08%
2012 – 6,20%
2013 – 5,56%
2014 – 6,23%
2015 – 11,28%

Variação Nominal Despesas

2011 – 14,15%
2012 – 17,72%
2013 – 6,55%
2014 – 6,32%
2015 – 5,16%

Variação Real (descontada a inflação) Despesas

2011 + 7,61%
2012 + 11,22%
2013 + 0,94%
2014 + 0,09%
2015 – 6,12%

7.1 – Considerando a ainda presente indexação inflacionária na economia brasileira, que induz à correção dos preços de produtos e serviços pela inflação passada, é esperado que a variação anual nominal das despesas administrativas se aproxime da variação da inflação.

8 – Os resultados apurados em 2015 para a FUNCEF, com redução real (descontada a inflação) nas despesas administrativas, é consequência de um amplo esforço, ainda em andamento, de revisão geral de processos, contratos e rotinas, contemplando a renegociação de contratos terceirizados, novas cotações de preços, eliminação de supérfluos, otimização de processos, automatização de rotinas e de fluxos de atividades. Em 2015, somente as renegociações de contratos com fornecedores possibilitaram economias de cerca de R$3 milhões/ano.

8.1 – Esse conjunto de esforços possibilitaram a redução da taxa de carregamento, que era de 4,5% em 2014, para 4,35% em 2015 e para 4,25% em 2016.

Certamente, ainda há muito a se fazer a respeito, e eventuais sugestões a respeito são sempre muito bem vindas, mas acreditamos que estamos na direção certa, de alcançar um patamar equilibrado de despesas administrativas frente às atividades e obrigações da FUNCEF com seus participantes.


Dando sequência à análise comparativa entre os principais fundos de pensão no Brasil, trazemos no quadro anexo ao post a classificação das taxas de juros atuariais dessas entidades, ordenadas da menor para a maior taxa.

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A razão pela qual tal indicador é relevante está associado à sua crucial importância para estimar qual a rentabilidade a ser obtida, pelo conjunto dos investimentos, de forma a assegurar o cumprimento das obrigações (pagamento atuais e futuros de benefícios) junto aos participantes e assistidos.

Assim, em síntese, quanto menor a taxa atuarial, maior será o montante das obrigações a cumprir (somatório de benefícios concedidos e a conceder), tendo em contrapartida maior facilidade de obtenção dessa rentabilidade, e vice-versa.

Apurando-se a média geral das taxas praticadas, para planos de benefício definido (similares ao REG/REPLAN) obtém-se o valor de 5,24%, e apurando-se essa média sem considerar a taxa praticada pelo BANESPREV, muito acima das demais, a nova média vai para 5,16%.

Essa questão só ilustra mais um dos grandes desafios que temos pela frente para o reequilíbrio dos planos “maduros” (Saldado e Não Saldado), e que foi objeto nesta sexta-feira, juntamente com uma série de outras questões desafiadoras, de um amplo debate com o novo Presidente da FUNCEF, Carlos Vieira, e sua equipe.

Nos próximos dias, após o 37o. Congresso da ABRAPP, que ocorre em Florianópolis, de 12 a 14 SET, está prevista uma nova rodada de discussões com o Presidente Gilberto Occhi, juntamente com o Conselho Diretor, visando a construção de uma agenda propositiva de superação das principais questões envolvendo a FUNCEF.

Temos a expectativa de que há espaço, qualificação e condições para uma ampla “concertação”, visando um somatório de esforços comuns e convergentes, para acelerar o processo de recuperação institucional da Fundação.

Estamos à disposição para outros esclarecimentos, pelo novo email: contato@controleresultado.blog.br

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