Moody’s rebaixa ratings corporativos da Invepar para B2/Ba2.br de B1/Baa2.br, perspectiva permanece negativa

Sao Paulo, July 15, 2016 — A Moody’s América Latina (Moody’s) rebaixou os ratings corporativos da Invepar – Investimentos e Participações em Infraestrutura S.A. (“Invepar” ou “a companhia”) para B2 de B1 na escala global e para Ba2.br de Baa2.br na escala nacional brasileira (NSR). A perspectiva dos ratings permanece negativa.

FUNDAMENTO DOS RATINGS

O rebaixamento reflete a expectativa da Moody’s de que as métricas de crédito da Invepar continuarão a se deteriorar nos próximos 6 a 12 meses, em consequência dos efeitos negativos que a recessão econômica do Brasil exerce sobre as concessões da Invepar e, em particular, sobre sua maior concessão, a do Aeroporto de Guarulhos (“GRU”, sem rating).

O declínio no volume de passageiros domésticos e nas vendas nas lojas de varejo do aeroporto levaram a concessão GRU a ter desempenho inferior às expectativas iniciais estabelecidas quando o leilão foi realizado, em 2012, o que fez a companhia anunciar que não fará o pagamento integral de outorga fixa conforme contrato de concessão, agendado para 11 de julho de 2016. A Moody’s entende que o poder concedente, o governo do Brasil (Ba2 negativa), recentemente autorizou todas as concessões brasileiras de aeroportos -incluindo a GRU — a atrasar a taxa de pagamento da outorga fixa da concessão em seis meses, até dezembro, em troca de um pagamento de uma penalidade de 2% sob o contrato de concessão. A Moody’s espera que o governo federal, que tem 49% de participação na concessão GRU, continue dando suporte à Invepar em relação às obrigações de outorga da concessão.

No entanto, a agência vê o atraso no pagamento da outorga da concessão como um indicador adicional da contínua deterioração do desempenho operacional da GRU. Enquanto outros negócios da Invepar, em particular concessões maduras como Metro Rio (Ba2/Aa1.br, negativa) e LAMSA (Ba2/Aa2.br, negativa) continuaram contribuindo positivamente para a geração de fluxo de caixa da Invepar, a perspectiva negativa reflete as expectativas da Moody’s de que as métricas de crédito da companhia vão se deteriorar mais daqui para a frente, em linha com a queda na relação do Caixa Gerado nas Operações (FFO) sobre Dívida para – 0,1% nos últimos doze meses encerrados em 30 de março de 2016, de 1,9% em 2015; e no índice de caixa para cobertura de juros para 1,0x de 1,4x.

A Moody’s vê a posição de liquidez da Invepar como fraca. Em 30 de março de 2016, a companhia tinha cerca de R$ 1,9 bilhão em dívidas a pagar nos próximos 12 meses (incluindo R$ 0.6 bilhão pago durante o segundo trimestre). Isso se compara a uma geração de fluxo de caixa livre negativa de cerca de R$ 1,1 bilhão nos últimos 12 meses encerrados em março de 2016. Nesse contexto, a Moody’s avalia que a capacidade da Invepar de pagar dívidas, e de efetuar o pagamento da outorga da concessão em dezembro desse ano, dependerá principalmente da habilidade da empresa em refinanciar sua dívida e/ou buscar fontes alternativas de financiamento.

O QUE PODERIA ELEVAR/REBAIXAR O RATING

Diante da ação de rating mais recente e da perspectiva negativa, uma elevação dos ratings é improvável no curto no prazo. Um rebaixamento dos ratings poderia resultar de deterioração adicional no desempenho operacional, como por exemplo se a relação FFO sobre dívida esperada continue negativa ou se a cobertura de juros esperada cair para abaixo de 1,0x em uma base sustentada. Pressões negativas também podem surgir se a Invepar enfrentar dificuldades para cobrir os próximos vencimentos de dívida e os pagamentos das outorgas de concessão dentro do prazo, tanto por meio de fluxos de caixa gerados internamente ou por fontes alternativas de financiamento. Evidências de enfraquecimento do suporte do governo também exerceriam pressão negativa sobre os ratings atribuídos.

Com sede no Rio de Janeiro, a Invepar é uma holding controlada pelos três maiores fundos de pensão brasileiros (PREVI, FUNCEF e PETROS) e pelos credores do Grupo OAS (sem rating), que se encontra sob recuperação judicial. O atual portfólio de concessões da Invepar é composto por (i) projetos de mobilidade urbana (MetroRio (Ba2/ Aa1.br, negativa), VLT (VLT na cidade do Rio de Janeiro), (ii) concessões de rodovias pedagiadas (LAmSa Ba2/Aa2.br, negativa), CaRt, (B1/Baa3.br, negativa), CBN (B1, Baa2.br negativa),CLN, CRT e CRA (todas sem rating) ; e (iii) a concessão do aeroporto de Guarulhos (GRU).

Nos últimos doze meses encerrados em 31 de março de 2016, de acordo com ajustes-padrão da Moody’s, a Invepar reportou receitas líquidas consolidadas (excluindo receitas com construção) de R$ 3.5 bilhões, EBlTDA (incluindo receita com juros) de R$ 1.9 bilhão, e dívida total de R$ 23,9 bilhões (incluindo pagamentos de outorga).

A metodologia principal usada neste rating foi Rodovias Pedagiadas Privadas sob Concessão (“Privately Managed Toll Roads”), publicada em Maio de 2014. Consulte a página de Metodologias de Rating em www.moodys.com.br para uma cópia desta metodologia.

Os Ratings em Escala Nacional da Moody’s (NSRs) pretendem ser medidas relativas de idoneidade creditícia entre emissões e emissores de dívida dentro de um país, possibilitando aos participantes do mercado uma melhor diferenciação dos riscos relativos. OS NSRs são diferentes dos ratings da escala global no sentido de que não são globalmente comparáveis ao universo completo das entidades classificadas pela Moody’s, mas apenas com outras entidades classificadas dentro do mesmo país. Os NSRs são designados por um modificador “.nn” que indica o país relevante, como “.za” no caso da África do Sul. Para mais informações sobre a abordagem da Moody’s para ratings na escala nacional, consulte a Metodologia de Ratings da Moody’s publicada em maio de 2016 sob o título “Equivalência entre os Ratings na Escala Nacional e os Ratings na Escala Global da Moody’s” (“Mapping Moody’s National Scale Ratings to Global Scale Ratings”).Embora os NSRs não tenham significado absoluto inerente em termos de risco de default ou perda esperada, pode-se inferir uma probabilidade histórica de default consistente com um dado NSR a partir do GSR para o qual o NSR mapeia em um momento específico. Consulte

https://www.moodys.com/researchdocumentcontentpage.aspx?docid=PBC_189530 para informações sobre taxas de default históricas associadas às diferentes categorias de escalas globais de ratings em distintos horizontes de investimentos.

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