Mercado mantém expectativa de queda para inflação e juros

Marcelo Cidade

  • IMA-B5+ e IRF-M 1+ registraram as melhores performances do primeiro semestre
  • Carteira de LFTs em mercado registra 6,6% no ano, o pior desempenho entre os sub-índices do IMA

►Trajetória de queda do risco inflacionário valoriza titulos prefixados de prazos mais longos

No mercado de renda fixa, a rentabilidade dos ativos no primeiro semestre, refletida na trajetória do IMA Geral e seus subíndices, que replicam a carteira de títulos públicos marcada a mercado, mostra a performance favorável dos títulos prefixados e indexados de maior duration. O IMA-B5+ (NTN-Bs acima de cinco anos) registrou retorno acumulado de 20,82%, o melhor desempenho do segmento, seguido pelo IRF-M1+ (carteira de prefixados acima de um ano), que apresentou variação de 19,6% no mesmo período. Na ponta contrária, o IMA-S, que reflete as LFTs em mercado, variou apenas 6,6%, a rentabilidade mais baixa entre os sub- índices do IMA.

Esse desempenho esteve relacionado à perspectiva de queda dos juros domésticos, como consequência de uma melhora esperada do quadro inflacionário. No início do ano, o prêmio de risco de inflação embutido nos títulos prefixados mostrava- se elevado quando as expectativas inflacionárias começaram a indicar uma trajetória descendente para o médio prazo. O prêmio, medido pela diferença entre a inflação implícita de um ano (expectativa de inflação + prêmio de risco) e a projeção do IPCA para o mesmo período, registrou uma redução expressiva no semestre, o que, em alguma medida, justifica a percepção de valorização dos títulos prefixados de prazos mais longos junto aos investidores.

A perspectiva de queda da inflação esteve condicionada aos efeitos defasados da política monetária contracionista sobre os preços conjugada com a expectativa de melhora do quadro fiscal e da interrupção do ciclo de elevação dos juros norte americanos pelo Fed, que teve impacto relevante sobre a taxa de câmbio doméstica.

Sobre esse último aspecto, vale destacar a valorização de 10,7% do Real em relação ao dólar norte americano em junho, o que resultou na apreciação de 17,8% da moeda doméstica no semestre. Esse processo começou em janeiro, quando o Fed indicou que não daria continuidade ao ciclo de elevação dos juros iniciado em dezembro/15, e se acirrou com os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia, em 23/6, o que aprofundou a percepção de baixo crescimento global. No último dia de junho, o Real registrou a menor cotação do ano, R$ 3,2098, o que levou o Banco Central a voltar a intervir no mercado de câmbio na ponta compradora em julho, nas primeiras intervenções dessa natureza da atual equipe econômica.

Para o segundo semestre, as condições que permitiram um quadro de valorização dos ativos de renda fixa devem se manter, ainda que permaneçam dúvidas quanto ao início efetivo da redução dos juros, em função da resiliência inflacionária observada no primeiro semestre.

  • Real registra apreciação de 10,7% em junho
  • Cotação R$/US$ chega a R$ 3,2098, a mais baixa do ano
  • IPCA registra taxa acumulada no ano de 4,42%

Se, por um lado, a sinalização da nova equipe do Banco Central de que conduzirá de forma conservadora a política monetária elevou a confiança dos agentes quanto à melhora do quadro inflacionário, por outro, postergou de agosto para outubro as apostas para o início da queda dos juros. A princípio, o ritmo mais lento de queda dos juros nominais em relação à da inflação indica juros reais mais altos nos próximos meses, entretanto as expectativas mais ancoradas para o longo prazo permitiram que os títulos indexados pelo IPCA de prazos mais longos registrassem valorização expressiva.

O IPCA efetivo de junho (0,35%) resultou em uma inflação acumulada no primeiro semestre de 4,42%. As projeções mensais do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANBIMA indicam para julho e agosto, respectivamente, um IPCA de 0,45% e 0,32%, o que, se confirmado, traria o acumulado do ano para 5,23% até agosto. Como o Comitê projeta o IPCA para 7,19% em 2016, a média mensal da inflação para o período entre setembro e dezembro terá que ser de 0,49% para que se atinja o resultado previsto pelo mercado. No primeiro semestre, a inflação média mensal foi superior a esse patamar, na ordem de 0,72%.

A valorização dos ativos de longo prazo se refletiu nos mercados primário e secundário de títulos públicos. Em junho, o volume médio negociado no mercado secundário com títulos prefixados acima de um ano foi de R$ 8,4 bilhões, uma elevação de 28% em relação ao mês anterior. No semestre, a média mensal de negócios foi de R$ 5,8 bilhões, contra R$ 4,9 bilhões no segundo semestre de 2015, o que correspondeu a uma elevação de 17%.

Nos últimos meses, também se observa uma redução acentuada da taxa média de colocação nas ofertas públicas de títulos prefixados longos. A        NTN-F  com

vencimento em janeiro/27 foi vendida no leilão de 30/6 por 12,20%, contra 14,24% na oferta ocorrida em 07/4.

  • Real registra apreciação de 10,7% em junho
  • Cotação R$/US$ chega a R$ 3,2098, a mais baixa do ano
  • IPCA registra taxa acumulada no ano de 4,42%

A performance dos ativos prefixados em 2016 favorece a melhora do perfil da divida pública, o que, em alguma medida, não estava previsto pelo Tesouro. O cenário esperado de volatilidade, em função das incertezas políticas e econômicas, fez a Autarquia adotar uma estratégia cautelosa no PAF (Plano Anual de Financimento) de 2016 para esses títulos. No documento, foi prevista a redução da parcela dos prefixados no total da dívida para o intervalo situado entre 31% e 35%, contra uma participação de 39% registrada no final de 2015. O último dado oficial disponível, de maio/16, já aponta para uma parcela de prefixados de 35,3% da Dívida Pública Federal, acima do limite superior previsto inicialmente pelo Tesouro.

 

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/estudos/panorama/Documents/panorama_201607.pdf#page=2

 

 

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