Linhas da Abengoa vão demandar R$ 7,25 bi

A conclusão das linhas de transmissão da espanhola Abengoa deve demandar investimentos da ordem de R$ 7,25 bilhões. O valor foi apresentado na última reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília, na semana passada, quando foram discutidos, entre outros pontos, os atrasos na expansão do sistema de transmissão e a necessidade de uma solução para concessões da Abengoa.

No todo, o grupo espanhol tem um portfólio de 6.300 quilômetros de linhas em construção.

Na última sexta-feira (01/07), o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Azevedo, disse que o governo avalia incluir os projetos cujas obras ainda não foram iniciadas pela empresa num futuro leilão da Aneel, ainda este ano. As obras já iniciadas, por sua vez, seriam relicitadas em um certame especifico.

"[As linhas cujas obras ainda não foram iniciadas] entram em um hall de empreendimentos que vão a leilão até o fim do ano. Vai junto com os outros [projetos previstos]. Os que já têm alguma coisa [construída], estamos estudando algo [licitação] específico", afirmou a jornalistas, após participar de um evento, no Rio.

Como as linhas da Abengoa foram arrematadas pela espanhola com deságios arrojados, em meio a um cenário de crescimento econômico e dólar mais baixo, Azevedo disse que o governo avalia formas de atrair interessados para a conclusão desses projetos e que não está descartado o aumento da receita anual permitida dos projetos detidos pela Abengoa, nem a adoção de benefícios fiscais. O assunto, segundo Azevedo, ainda está sendo avaliado.

Na semana passada, a Aneel deu o primeiro passo para retomar as concessões das linhas sob concessão da Abengoa. A diretoria do órgão regulador decidiu emitir termos de intimação para nove transmissoras da companhia espanhola com empreendimentos em construção.
Entre os ativos que podem ser retomados está o chamado Linhão pré¬Belo Monte, com 1.854 quilômetros de extensão, e que vai escoar a energia gerada pela megahidrelétrica do rio Xingu, no Pará, até a região Nordeste.

Em crise financeira, a Abengoa interrompeu suas obras no Brasil no final do ano passado, quando a empresa obteve a aprovação, na Espanha, de um "pré¬concurso de credores". Em janeiro, o pedido de recuperação judicial da empresa foi aprovado na Justiça do Rio de Janeiro

Por André Ramalho

Fonte: Valor

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