Eletrobras pode devolver distribuidoras

A Eletrobras poderá decidir pela devolução da concessão de suas distribuidoras integrais, se os acionistas da empresa não aprovarem, em assembleia marcada para 22 de julho, um aporte de pelo menos R$ 8 bilhões nessas empresas, com recursos da União. Segundo uma fonte com conhecimento do assunto, caso a União, acionista majoritária, não aprove o aporte na assembleia, o conselho deverá marcar nova reunião para tratar do assunto.

“[Se a União não aprovar o aporte], o conselho vai convocar outra reunião em que o assunto será discutido”, disse a fonte ao Valor.

Nesta semana, o conselho ampliou, de R$ 7 bilhões para R$ 8 bilhões, o valor mínimo necessário de aporte pela União no capital das seis distribuidoras integrais da companhia, que atuam em Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Alagoas e Piauí. A modificação foi incluída na proposta que será levada à eleição pelos acionistas em 22 de julho. A decisão do conselho ocorre uma semana depois de o governo ter publicado medida provisória limitando o repasse de recursos públicos para socorrer distribuidoras em R$ 3,5 bilhões este ano.

Com a decisão, o conselho da estatal elétrica, cuja postura recente tem chamado a atenção do mercado pela independência em relação à União, mantém sua posição pelo aporte nas distribuidoras. A expectativa é que visão de governança e autonomia do conselho seja ampliada com a chegada de Wilson Ferreira Jr à presidência da estatal.

O Valor apurou que, além do plano de vender as distribuidoras até o fim de 2017, a Eletrobras planeja vender a participação em uma grande hidrelétrica o mais rapidamente possível. “Existe chance de vender participação em uma dessas grandes aí [hidrelétricas], para não ter de sofrer capitalização na holding”, disse a fonte. “A Eletrobras tem uma carência muito grande de recursos”, completou.

Matéria publicada este mês pelo Valor informou que Odebrecht, Andrade Gutierrez e Cemig negociam a venda de suas respectivas participações na hidrelétrica de Santo Antônio, de 3.568 megawatts (MW), no rio Madeira (RO). Segundo a reportagem, Furnas tem intenção de aproveitar a oportunidade e vender sua participação de 39% no projeto. Isso porque a subsidiária da Eletrobras tem direito de “tag along”, que obriga o comprador a estender aos demais acionistas a mesma oferta ao grupo que vai vender o controle da usina.

O Valor apurou que o conselho da Eletrobras também suspendeu duas indicações políticas feitas pelo governo para presidir subsidiárias da estatal. A avaliação do colegiado é que a escolha dos novos nomes para as subsidiárias deverá ser feita por Ferreira Jr, que deverá assumir o cargo formalmente em 22 de julho. quando ocorrerá a assembleia que elegerá a nova composição do conselho. Pelo estatuto da elétrica, o presidente da Eletrobras precisa ser membro do conselho.

A escolha pelo governo dos nomes do consultor Vicente Falconi para presidir o conselho e de Ferreira para ser o presidente da elétrica agradou o colegiado. “Com Falconi e Wilson, a Eletrobras acabou ficando com um time mais identificado com o setor elétrico e com a empresa do que a Petrobras”, afirmou uma fonte.

“Pedro Parente foi uma ótima escolha para a [presidência da] Petrobras, mas Pedro Parente para a Petrobras não pode ser comparado ao Wilson para a Eletrobras”, completou ela.

http://www.valor.com.br//empresas/4620871/eletrobras-pode-devolver-distribuidoras

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